Uma iniciativa de um governo regional no centro do Japão para retomar a exigência de cidadania japonesa para seus funcionários públicos tem provocado críticas, após uma pesquisa de opinião — feita com moradores escolhidos aleatoriamente — ter sido direcionada exclusivamente a cidadãos japoneses.
Na quarta-feira, um residente de origem coreana entrou com uma petição pedindo que a administração da província de Mie não divulgue os resultados do levantamento, alegando que o processo foi conduzido de forma excludente.
Durante uma coletiva de imprensa, o homem, na faixa dos 30 anos, afirmou que a comunicação oficial “acaba reforçando atitudes discriminatórias”.
Em dezembro do ano passado, o governador Katsuyuki Ichimi anunciou que o governo local revisaria seus critérios de contratação, com foco na prevenção de possíveis vazamentos de informações para fora do país.
A decisão final sobre o tema deve se basear nos dados de uma pesquisa realizada entre janeiro e fevereiro com 10 mil moradores selecionados aleatoriamente, cujos resultados ainda serão divulgados.
Segundo o governo provincial, os participantes foram escolhidos a partir do cadastro eleitoral, que contempla apenas pessoas com cidadania japonesa.
O autor da petição, identificado como um coreano residente no Japão — conhecido como “zainichi” — argumenta que a exclusão de estrangeiros contraria normas locais voltadas à eliminação da discriminação e à promoção dos direitos humanos.
Ele também criticou o conteúdo do questionário, afirmando que as perguntas partiam do pressuposto de que estrangeiros não cumpririam regras de confidencialidade, o que, segundo ele, os coloca como não confiáveis.






