O grupo Japan Railways (JR) vem adotando novas estratégias para reduzir as longas filas nos banheiros femininos de suas estações, um problema recorrente em grandes centros de transporte no Japão. Entre as iniciativas estão a ampliação do número de cabines e o uso de tecnologia para orientar as passageiras até sanitários com menor fluxo.
Segundo dados do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo, a capacidade dos banheiros destinados às mulheres em estações ferroviárias corresponde a cerca de 63% da oferecida aos homens. A diferença é explicada, em grande parte, pela estrutura dos sanitários masculinos, que combinam mictórios e cabines, permitindo maior rotatividade.
Tecnologia e ampliação de espaços
Em dezembro, a East Japan Railway (JR East) passou a oferecer um serviço que informa, em tempo real, o nível de ocupação dos banheiros femininos da estação de Tóquio. Telas instaladas próximas às entradas e o site da operadora mostram quantas cabines estão disponíveis, usando indicações como “livre”, “congestionado” ou “lotado”.
Já a Central Japan Railway (JR Central) investiu na ampliação física das instalações. Na estação de Shin-Osaka, o número de cabines femininas aumentou de 16 para 26 até março do ano passado. A empresa também reforçou a presença de sanitários exclusivos para mulheres nos trens das linhas Tokaido e Sanyo Shinkansen.
O tema ganhou atenção oficial em novembro, quando o Ministério dos Transportes realizou a primeira reunião de um conselho dedicado a discutir o congestionamento em banheiros femininos de espaços públicos.
Origens do desequilíbrio
Durante o encontro, foram apresentados dados que evidenciam a desigualdade de capacidade: 66% em aeroportos, 71% em terminais rodoviários e 89% em cinemas. O levantamento mostra ainda que shoppings, teatros e casas de espetáculo costumam oferecer uma estrutura mais equilibrada para o público feminino.
De acordo com a análise do ministério, a raiz do problema está no fato de muitas dessas instalações terem sido projetadas em períodos em que a participação das mulheres no mercado de trabalho era menor, resultando em um número insuficiente de cabines. Soma-se a isso a difusão dos sanitários de estilo ocidental, mais confortáveis que os modelos tradicionais japoneses, mas que tendem a prolongar o tempo de uso e agravar o congestionamento.





