O governo do Japão avalia a possibilidade de incorporar drones de ataque desenvolvidos na Ucrânia como parte de um esforço para ampliar suas capacidades militares diante do aumento das tensões internacionais.
A proposta ganhou força devido à experiência acumulada pelos ucranianos durante a guerra contra a Rússia. Segundo fontes próximas às discussões, o desempenho desses equipamentos em combate real chamou a atenção das autoridades japonesas. Para viabilizar a cooperação, o governo estuda firmar um acordo bilateral de transferência de armamentos que permita compartilhar tecnologia e, ao mesmo tempo, proteger informações sensíveis.
O interesse também parte de Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, teria sinalizado disposição para trocar conhecimentos na área de drones por equipamentos fornecidos pelo Japão, país que mantém restrições à exportação de armamentos devido à Constituição pacifista adotada após a Segunda Guerra Mundial.
Embora a compra de drones de Israel também tenha sido considerada, autoridades japonesas avaliam que uma parceria com a Ucrânia poderia gerar menos controvérsias diplomáticas, especialmente diante das críticas internacionais às operações militares israelenses na Faixa de Gaza.
Especialistas do Ministério da Defesa japonês ressaltam que os drones desenvolvidos pela Ucrânia demonstraram grande alcance e resistência a interferências eletrônicas. Para o ano fiscal de 2026, o ministério reservou cerca de 277,3 bilhões de ienes para fortalecer sistemas de defesa baseados em equipamentos não tripulados.
Parte desse investimento será direcionada ao programa “Synchronized, Hybrid, Integrated and Enhanced Littoral Defense” (SHIELD), iniciativa voltada à proteção de ilhas remotas do arquipélago japonês e que prevê a aquisição em larga escala de drones para missões de ataque e vigilância.





