O Japão enfrenta todos os anos a temporada de pólen, responsável por desencadear rinite alérgica — conhecida no país como kafunsho. As principais fontes são o cedro japonês (sugi) e o cipreste (hinoki). A liberação do pólen de cedro deve ter início no fim deste mês, enquanto a do cipreste é esperada entre o final de março e o começo de abril.
Segundo as previsões, os períodos de maior concentração devem seguir o padrão habitual. No entanto, o volume total de pólen em 2026 poderá ser cerca de 30% superior à média histórica, reflexo do calor extremo registrado no verão passado, que favoreceu o desenvolvimento das flores macho — responsáveis pela produção dos grãos alergênicos.
Com a elevação gradual das temperaturas, especialmente nas regiões leste e oeste do arquipélago, a dispersão tende a se intensificar rapidamente a partir do fim de fevereiro. A empresa privada de meteorologia WeatherNews informou que a liberação de pólen já foi confirmada em Tóquio e em outras nove províncias, como Miyagi e Fukuoka, com expectativa de expansão acelerada nas próximas semanas.
As projeções indicam índices significativamente acima da média em diversas localidades, entre elas:
- Toyama (166%)
- Akita (152%)
- Gifu (144%)
- Osaka (137%)
- Fukuoka (122%)
- Tóquio (107%)
Especialistas alertam que dias com temperaturas acima de 15°C combinadas a ventos fortes favorecem a liberação intensa de pólen na atmosfera. A recomendação é adotar medidas preventivas, como uso de máscara e colírios, além de sacudir roupas e roupas de cama secas ao ar livre antes de guardá-las.
De acordo com Yoshio Kuramoto, diretor regional de pesquisa do Instituto de Pesquisa Florestal e de Produtos Florestais na região de Kansai, o intervalo entre o início da dispersão e o pico máximo tem encurtado nos últimos anos. Ele observa ainda que os níveis elevados tendem a se manter por períodos prolongados. Embora as causas ainda não sejam totalmente compreendidas, a tendência indica que o pólen pode atingir rapidamente seu volume máximo e permanecer em patamares altos por mais tempo.
O especialista destaca que verões prolongadamente quentes estimulam a formação das flores macho, aumentando a carga de pólen na temporada seguinte. Em algumas áreas, os níveis já superam a média considerada comum até mesmo em anos tradicionalmente classificados como desfavoráveis, sinalizando que temporadas com baixa concentração estão se tornando cada vez mais raras.
Outro fator que contribui para a dispersão é o clima seco, que facilita a circulação das partículas no ar. Mesmo pessoas que ainda não apresentam sintomas devem redobrar os cuidados, pois a exposição excessiva pode desencadear crises. A orientação é acompanhar as atualizações divulgadas por órgãos oficiais e empresas meteorológicas e manter as medidas preventivas ao longo da temporada.





