A instabilidade no Oriente Médio deixou de ser apenas uma fonte de preocupação econômica e passou a impactar diretamente o abastecimento no Japão.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) entrou em estado de alerta após surgirem relatos de escassez de combustíveis e interrupções em serviços essenciais em diferentes regiões do país.
Apesar da liberação de reservas estratégicas de petróleo iniciada no dia 16, postos de gasolina e empresas seguem enfrentando dificuldades para garantir fornecimento. Diante desse cenário, o governo japonês determinou que as dez maiores distribuidoras do país não limitem a venda de combustível, numa tentativa de assegurar o acesso ao consumidor final.
Além disso, foram adotadas medidas de apoio econômico, como a criação de um centro de consultoria voltado a pequenas e médias empresas e a ampliação de linhas de crédito emergenciais para negócios afetados pelo aumento de custos e queda nas receitas.
Os efeitos da crise já são visíveis na ponta. Em Kitakyushu, na província de Fukuoka, a rede Kyuhan Sekiyu suspendeu temporariamente as operações de três de seus sete postos até 1º de abril, após o custo da gasolina subir cerca de 30% em apenas uma semana. Já em Hamamatsu, na província de Shizuoka, o Centro de Bem-Estar Social Mikkaichi interrompeu suas atividades por tempo indeterminado devido à falta de óleo combustível para aquecimento da água.
O impacto também atinge a indústria. A Nippon Paint anunciou um aumento de aproximadamente 75% no preço de solventes, refletindo a escassez de derivados de petróleo. A empresa alertou que novos reajustes podem ocorrer, especialmente se a situação envolvendo o Irã se agravar.
Com efeitos em cadeia, setores como o automotivo e o industrial já demonstram preocupação com possíveis interrupções na produção, enquanto trabalhadores temem as consequências de um cenário prolongado de instabilidade no fornecimento de energia.





