A China desponta como uma forte candidata a se tornar um dos primeiros países do mundo a autorizar um medicamento desenvolvido integralmente com o apoio da inteligência artificial, um avanço que pode representar uma transformação profunda na forma como novos fármacos são criados.
Executivos de grandes companhias farmacêuticas avaliam que a convergência entre IA e genética humana está abrindo caminho para uma nova fase da medicina, mais rápida, precisa e orientada por dados.
Durante o Fórum Financeiro Asiático, realizado em Hong Kong, o presidente da Merck China, Marc Horn, afirmou que o setor está próximo de uma virada decisiva. Segundo ele, a partir de 2026, a indústria deve avançar da descoberta de moléculas auxiliada por IA para o desenvolvimento de compostos concebidos integralmente por sistemas inteligentes, alguns já ingressando em etapas formais de aprovação. Horn destacou ainda que a China já apresenta casos bastante promissores nessa área.
De fabricante de genéricos a polo de inovação
As declarações refletem a rápida transformação do setor biofarmacêutico chinês, que ao longo da última década deixou de se concentrar apenas na produção de medicamentos genéricos para assumir um papel relevante na inovação global.
Em 2025, empresas farmacêuticas chinesas fecharam acordos internacionais de licenciamento que somaram um recorde de US$ 135,7 bilhões, mais que o dobro do volume registrado no ano anterior, de US$ 51,9 bilhões.
Atualmente, cerca de 30% dos novos projetos de medicamentos têm origem na China, ressaltou Horn. Ele atribui esse avanço, entre outros fatores, à ampla disponibilidade de dados de pacientes e ao recente anúncio do programa governamental “AI Plus”, que deve acelerar ainda mais o uso de inteligência artificial na pesquisa médica.
Uma nova era e parcerias estratégicas
Para o executivo, não é improvável que um medicamento totalmente projetado por IA receba aprovação regulatória na China já no próximo ano.
O “AI Plus” integra um plano nacional de longo prazo, com horizonte de dez anos, voltado a conduzir o país para uma etapa de desenvolvimento definida como a era da “civilização inteligente”.
Nesse contexto, a Merck busca ampliar suas parcerias no mercado chinês, especialmente em áreas como conjugados anticorpo-medicamento e tratamentos voltados à fertilidade e à reprodução.





