O governo do Japão está ampliando sua estratégia de apoio à internacionalização das indústrias de conteúdo — incluindo videogames, anime, mangá e música — e reforçando investimentos na formação de profissionais especializados para o setor. A iniciativa integra uma política mais ampla que busca consolidar a economia criativa como um dos principais motores de crescimento do país.
Os números recentes reforçam essa diretriz. Em 2023, as exportações de conteúdo japonês alcançaram aproximadamente ¥5,8 trilhões, superando inclusive o volume de exportações de semicondutores. Em 2025, um novo recorde foi registrado quando o filme de anime “Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba the Movie: Infinity Castle — Part 1: Akaza Returns” ultrapassou ¥100 bilhões em bilheteria global, tornando-se a primeira produção japonesa a atingir esse patamar.
Com base nesse desempenho, o governo estabeleceu a meta de elevar as vendas externas do setor para ¥20 trilhões até 2033. No entanto, o volume de recursos atualmente destinado à indústria ainda é considerado modesto frente aos concorrentes internacionais. O orçamento japonês previsto é de ¥25,3 bilhões, enquanto a Coreia do Sul destinou cerca de ¥76 bilhões em 2023 e os Estados Unidos concederam apoio estimado em aproximadamente ¥600 bilhões. A Califórnia, principal polo da indústria cinematográfica norte-americana, mantém ainda um robusto sistema de incentivos fiscais e subsídios.
Diante dessa disparidade, o Partido Liberal Democrata (PLD) aprovou, em novembro, uma resolução emergencial solicitando a ampliação substancial do orçamento para o setor. O documento defende que os recursos sejam rapidamente elevados para mais de ¥100 bilhões, aproximando o Japão do nível de apoio observado em outros países.
A administração da primeira-ministra Sanae Takaichi passou a tratar a indústria de conteúdo como prioridade estratégica e planeja implementar um programa de investimento intensivo e de médio a longo prazo. Como primeiro passo, foram reservados ¥35 bilhões no orçamento suplementar do ano fiscal de 2025.
Entre as principais medidas previstas estão o fortalecimento das redes internacionais de distribuição e a integração de estratégias para ampliar o alcance global de mangás, animes e música japonesa. O governo também pretende intensificar o combate à pirataria digital, especialmente de mangás que servem de base para adaptações audiovisuais.
Outro eixo central da política será o uso de ferramentas de tradução baseadas em inteligência artificial, além da formação de tradutores especializados, com o objetivo de expandir a presença internacional das obras japonesas e aumentar a rentabilidade de editoras e produtoras por meio da distribuição global de seus conteúdos.




