Diante do bloqueio de fato do Estreito de Ormuz, o governo japonês adotou uma estratégia emergencial para evitar desabastecimento e conter a alta nos preços dos combustíveis. A primeira-ministra Sanae Takaichi e a ministra das Finanças Satsuki Katayama anunciaram, na terça-feira (24), um pacote de medidas voltado a estabilizar o mercado energético e proteger o orçamento das famílias.
Como eixo central da resposta, o Japão iniciou a liberação simultânea de diferentes tipos de reservas de petróleo — algo raro na história recente do país. A partir de 26 de março, serão disponibilizados cerca de 51 milhões de barris das reservas nacionais, armazenadas em grandes bases como as de Ehime e Hokkaido, volume equivalente a aproximadamente um mês de consumo. Paralelamente, estoques privados já começaram a ser utilizados desde o dia 16, cobrindo cerca de duas semanas de demanda.
Pela primeira vez, o país também recorrerá a reservas conjuntas mantidas com parceiros do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Para acelerar a distribuição, contratos foram firmados com grandes refinadoras — incluindo ENEOS, Idemitsu Kosan, Cosmo Energy Holdings e Taiyo Oil — garantindo que o petróleo chegue rapidamente ao consumidor final já transformado em combustíveis como gasolina.
Combinando todas as fontes, o governo estima um fôlego de pouco mais de 30 dias de abastecimento. A medida funciona como uma “ponte emergencial” enquanto o país reorganiza sua cadeia de suprimentos, altamente dependente da rota do Ormuz — responsável por cerca de 90% das importações japonesas de petróleo.
Nesse contexto, novas rotas estão sendo estruturadas. Um petroleiro vindo da Mar Vermelho, com carga da Arábia Saudita, deve chegar ao Japão no dia 28 após contornar a área de conflito. Além disso, Tóquio intensifica negociações com fornecedores alternativos nos Estados Unidos, na América do Sul e na Ásia Central.
No campo econômico, o governo também busca conter o impacto direto no bolso da população. Com o fundo de subsídios praticamente esgotado, foi anunciada uma injeção adicional de ¥800 bilhões para manter os preços sob controle. A medida evita uma alta imediata nas bombas e funciona como um amortecedor temporário.
Outra ação incomum é a preparação de um orçamento emergencial de curto prazo — válido por 11 dias no início de abril —, enquanto o orçamento fiscal de 2026 ainda está em tramitação. A iniciativa sinaliza a prioridade do governo em manter a economia funcionando, mesmo diante de impasses políticos.
Apesar do alívio momentâneo no abastecimento, autoridades pedem uso consciente de combustível. O sucesso da estratégia dependerá da rapidez com que o Japão conseguirá diversificar suas fontes de importação antes que as reservas se esgotem.





