Durante visita oficial ao Japão, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu, na quarta-feira, a necessidade de um cessar-fogo no Oriente Médio.
Após reunião com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, Macron destacou que ambos compartilham princípios como o respeito ao direito internacional, à ordem global e aos valores democráticos. Segundo ele, esse alinhamento sustenta a posição conjunta em favor da paz, da redução das tensões e da garantia de navegação livre no Estreito de Ormuz.
Takaichi ressaltou que há consenso entre os dois governos sobre a urgência de conter a escalada do conflito, preservar a segurança dessa importante rota marítima e manter a estabilidade no fluxo de mercadorias.
Em coletiva realizada no Palácio de Akasaka, em Tóquio, a premiê japonesa afirmou que, diante de um cenário internacional mais desafiador, o fortalecimento da parceria entre Japão e França ganha ainda mais relevância.
Além da pauta geopolítica, os líderes confirmaram a intenção de expandir a cooperação bilateral em áreas estratégicas, como defesa, exploração de terras raras, energia nuclear e setor espacial.
Nos últimos anos, os dois países vêm intensificando sua articulação no Indo-Pacífico, região onde a França mantém presença militar e interesses econômicos, buscando atuar ao lado de outras democracias diante do avanço da influência chinesa.
Como parte desse esforço, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, e a ministra francesa Catherine Vautrin formalizaram, na terça-feira, um plano de cooperação que prevê mais exercícios conjuntos e intercâmbios militares.
Paralelamente, autoridades comerciais dos dois países fecharam um acordo voltado ao desenvolvimento conjunto de projetos envolvendo terras raras — insumos estratégicos dominados em grande parte pela China e essenciais para tecnologias como veículos elétricos e equipamentos de defesa.
Macron e Takaichi também confirmaram colaboração em iniciativas nucleares, incluindo o desenvolvimento de reatores rápidos e programas de reciclagem de combustível, setor em que o Japão enfrenta entraves técnicos e operacionais.
A visita ocorre em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu aos países dependentes do Estreito de Ormuz a responsabilidade por manter a rota aberta, chegando a mencionar diretamente a França. O líder americano também tem criticado a postura europeia em relação ao conflito envolvendo EUA e Israel.
Apesar disso, Macron evitou comentar as falas de Trump durante a coletiva — que não contou com perguntas da imprensa.
A agenda do presidente francês no Japão inclui ainda, na quinta-feira, a visita a uma empresa especializada em remoção de detritos espaciais, seguida de um encontro com o imperador Naruhito e um almoço oficial no palácio, antes de seguir viagem para a Coreia do Sul.





