A China anunciou nesta terça-feira a suspensão das exportações para o Japão de produtos de uso dual, ou seja, itens que podem ser utilizados tanto para fins civis quanto militares. A decisão ocorre em meio ao agravamento das tensões bilaterais relacionadas a Taiwan, território autogovernado que Pequim considera parte integrante de sua soberania.
De acordo com um comunicado do Ministério do Comércio chinês, a medida impede o envio desses produtos a usuários militares japoneses e também a qualquer destinatário que possa contribuir para o fortalecimento das capacidades militares do Japão.
O governo chinês alertou ainda que pessoas físicas ou jurídicas que desrespeitarem a determinação, ao transferir ou fornecer produtos de origem chinesa a organizações ou indivíduos no Japão, estarão sujeitas a sanções legais, independentemente de sua nacionalidade.
Embora o comunicado não detalhe quais mercadorias estão incluídas na restrição, autoridades indicaram que determinados itens, especialmente do setor tecnológico — como drones e sistemas de navegação — podem ter aplicações militares. Até o momento, o governo japonês não se manifestou oficialmente sobre a decisão.
O relacionamento entre Tóquio e Pequim vem se deteriorando desde o fim do ano passado, quando a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, declarou que o país poderia se envolver militarmente caso a China adotasse ações contra Taiwan.
Em dezembro, o Japão acusou aeronaves militares chinesas de travarem o radar em seus caças, mesmo mantendo uma distância considerada segura. Paralelamente, o governo japonês tem acelerado planos para ampliar de forma significativa sua capacidade de defesa, incluindo a duplicação dos gastos anuais com armamentos, como resposta ao que classifica como ameaças crescentes da China.
Na semana passada, a China realizou exercícios militares de grande escala ao redor de Taiwan durante dois dias, afirmando que a ação teve como objetivo alertar contra forças separatistas e interferências externas.
Na mesma ocasião, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, fez duras críticas ao Japão e às chamadas forças pró-independência de Taiwan, acusando os atuais líderes japoneses de desafiar a soberania territorial chinesa e a ordem internacional estabelecida no pós-guerra.
Já nesta segunda-feira, durante um encontro em Pequim com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, o presidente chinês Xi Jinping mencionou a rivalidade histórica compartilhada por China e Coreia do Sul em relação ao Japão e defendeu uma atuação conjunta para “preservar os resultados da vitória na Segunda Guerra Mundial” e garantir a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia.






