A corrida pelas tradicionais mochilas escolares japonesas, conhecidas como randoseru, já teve início — e cada vez mais cedo. Em lojas de departamento e supermercados pelo país, os modelos destinados às crianças que começarão a escola primária na primavera de 2027 já estão à venda, mais de um ano antes do início das aulas.
Os preços dessas mochilas, projetadas para acompanhar os alunos durante todo o ensino fundamental, registraram um aumento significativo nas últimas décadas. Atualmente, o valor médio é cerca de 70% mais alto do que há 15 anos, refletindo tanto o encarecimento dos materiais quanto a incorporação de novos recursos.
Tradicionalmente, a busca pelos randoseru começa por volta de abril do ano anterior ao ingresso escolar e atinge o auge em maio, quando famílias tentam garantir os modelos mais disputados. Mesmo com a queda no número de crianças no Japão, os gastos por aluno têm aumentado — muitas vezes impulsionados por pais e, principalmente, avós.
Esse comportamento deu origem ao chamado “ran-katsu”, termo que combina “randoseru” com “katsudo” (atividade), descrevendo a preparação antecipada para a compra. Em Tóquio, por exemplo, uma grande loja de departamentos já iniciou suas vendas em março, com preços médios na faixa de ¥76 mil. Em linhas mais sofisticadas, há modelos que ultrapassam ¥100 mil.
Dados do setor indicam que o preço médio das mochilas adquiridas por alunos que ingressaram em 2025 chegou a pouco mais de ¥60 mil, um salto considerável em comparação aos cerca de ¥35 mil registrados 15 anos atrás. Em mais da metade dos casos, os custos foram arcados pelos avós.
A elevação nos preços também está ligada à busca por maior conforto e funcionalidade. Modelos recentes incluem alças acolchoadas e estruturas projetadas para reduzir o impacto do peso — especialmente relevante com a inclusão de tablets e outros dispositivos no cotidiano escolar. Um randoseru vazio costuma pesar entre 1 e 2 quilos, antes mesmo de receber livros e materiais.
Apesar da tradição de uso de couro e da fabricação artesanal voltada à durabilidade, o mercado também tem visto uma diversificação de cores e estilos, rompendo com o padrão clássico de preto para meninos e vermelho para meninas.
Ao mesmo tempo, alternativas mais acessíveis começam a ganhar espaço. Mochilas leves feitas de nylon, por exemplo, surgiram como opção mais econômica e prática, conquistando consumidores e ampliando a concorrência.
Ainda assim, o setor enfrenta um desafio estrutural: a diminuição da população infantil. Após atingir seu auge recentemente, o mercado de randoseru começou a dar sinais de retração, com leve queda no faturamento anual. Especialistas apontam que, mesmo com preços em alta, será difícil compensar o impacto do declínio demográfico, indicando uma tendência de contração gradual nos próximos anos.





