A declaração do governador da província de Mie, Katsuyuki Ichimi, no final do ano passado, de que estaria avaliando a possibilidade de interromper a contratação de trabalhadores estrangeiros, gerou reações entre autoridades municipais da região. Prefeitos locais passaram a manifestar preocupação tanto com a continuidade dessas contratações quanto com a postura adotada pelo governo provincial.
A prefeita de Suzuka, Noriko Suematsu, foi uma das que se posicionaram publicamente. Segundo ela, a cidade não cogita suspender a admissão de estrangeiros, ressaltando a importância de manter um quadro de funcionários diverso. Ao comentar a declaração do governador, limitou-se a dizer que não faria observações sobre as considerações do governo provincial.
A prefeitura de Suzuka explica que, até o ano fiscal de 2000, os concursos para cargos municipais eram restritos a cidadãos japoneses, em razão do exercício de autoridade pública. Contudo, acompanhando uma tendência nacional de ampliação da participação de estrangeiros no serviço público, desde o ano fiscal de 2001 a cidade passou a permitir que residentes permanentes e residentes permanentes especiais prestem exames para cinco áreas de atuação — administrativa, técnica, educação infantil, enfermagem de saúde pública e trabalho operacional — com exceção do corpo de bombeiros. Atualmente, há estrangeiros integrando o quadro de servidores municipais.
No fim de dezembro do ano passado, Suzuka registrava uma população de 192.865 habitantes, dos quais 10.641 eram estrangeiros, provenientes de 68 países e regiões. “Suzuka está entre as cidades com maior número de residentes estrangeiros no Japão, e estamos considerando ampliar ainda mais nossas portas, inclusive para estudantes estrangeiros que desejam se tornar funcionários públicos”, afirmou a prefeita.
Outros municípios da província também se manifestaram. O prefeito de Kuwana, Narutaka Ito, declarou que a cidade seguirá promovendo a convivência multicultural e continuará recrutando funcionários, sem mudanças em sua política atual. Kuwana já conta com estrangeiros atuando como recepcionistas na prefeitura, oferecendo suporte a residentes e visitantes estrangeiros.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira (6), Ito afirmou que cada administração possui sua própria visão e evitou comentar diretamente a política provincial. Ele destacou que, em uma cidade com forte presença da indústria manufatureira, a mão de obra estrangeira é essencial para suprir a escassez de trabalhadores, lembrando que cerca de seis mil estrangeiros vivem no município. “Estamos empenhados em construir uma cidade aberta ao mundo e, independentemente da posição do governador, não pretendemos alterar nossas diretrizes de contratação”, disse.
Já o prefeito de Iga, Toshihisa Inamori, abordou o tema em seu discurso de Ano Novo, na segunda-feira (5). Segundo ele, a fala do governador causou apreensão, pois poderia ser interpretada como um sinal de exclusão dos estrangeiros.
A repercussão também chegou aos sindicatos. O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Todo o Japão (Jichiro) publicou, em 6 de janeiro, uma nota assinada pelo secretário-geral Ito Isao, defendendo que a ideia do governador seja retirada imediatamente. Por sua vez, o Sindicato dos Funcionários Públicos da Província de Mie (Kenshokuro), ligado à Jichiren, afirmou que não foi consultado antes da divulgação da posição do governador. Em entrevista, a entidade declarou não considerar a proposta adequada e informou que pretende expressar formalmente sua oposição a qualquer revisão nesse sentido.





