Escassez de motoristas pressiona o setor em Oita
A província de Oita, no Japão, passou a adotar uma estratégia mais organizada para lidar com a falta de motoristas: empresas e entidades locais firmaram um acordo de cooperação para facilitar a contratação de trabalhadores estrangeiros. A medida busca reduzir gargalos no transporte, um problema que vem se tornando mais sensível diante do envelhecimento da força de trabalho e da dificuldade de preencher vagas operacionais.
Segundo a informação divulgada pela NHK, o entendimento reúne uma empresa de recrutamento sediada na província, uma escola que prepara candidatos para a conversão da carteira de habilitação estrangeira e uma organização que apoia o envio de trabalhadores do exterior ao Japão. A proposta é criar um fluxo mais estável, do recrutamento à integração no emprego.
Como funciona o apoio aos candidatos
O acordo não se limita a abrir vagas. A ideia é acompanhar o profissional em etapas que costumam ser decisivas para quem pretende trabalhar como motorista no Japão:
- seleção de candidatos no exterior;
- preparação para a conversão da habilitação estrangeira;
- apresentação às empresas contratantes;
- suporte após o início do trabalho.
Esse modelo é relevante porque a conversão da carteira, conhecida como gaimen kirikae, tornou-se mais exigente após mudanças nas regras. Em linhas gerais, quem já possui habilitação em outro país precisa passar por testes de conhecimento e de direção prática para obter a licença japonesa.
Contexto: regras mais rigorosas e menor aprovação
Após a revisão das normas em outubro do ano passado, o processo ficou mais difícil. Entre as mudanças, deixaram de ser aceitos hotéis e hospedagens temporárias como endereço para turistas de curta permanência, e passou a ser exigida a comprovação de residência, em regra por registro formal. O exame teórico também foi ampliado: saiu do formato com ilustrações, passou de 10 para 50 questões e exige 90% de acertos.
Na prova prática, foram acrescentados critérios mais detalhados, como a parada antes da faixa de pedestres e a obrigatoriedade de parar antes de cruzamentos ferroviários, mesmo sem cancelas baixadas.
Impactos e próximos desdobramentos
Os números mostram o efeito dessas mudanças em Oita. Segundo a polícia local, entre outubro do ano passado e o fim de março deste ano, a taxa de aprovação caiu para 33,4% no teste de conhecimento e 3,9% no exame prático. Antes da revisão, os índices eram bem mais altos.
Na prática, isso significa mais tempo parado para candidatos e mais custo para empresas. Por isso, a parceria tenta encurtar o caminho entre a chegada ao país e o início do trabalho. Como o governo japonês já incluiu o setor de transporte automotivo, em 2024, no sistema de visto de habilidades específicas, a tendência é que províncias com carência de mão de obra reforcem soluções semelhantes para evitar que a falta de motoristas se transforme em problema de abastecimento e mobilidade local.
Referência consultada: https://portalmie.com/atualidade/2026/07/falta-de-motoristas-no-japao-leva-provincia-a-reforcar-contratacao-de-estrangeiros/





