Um levantamento divulgado pelo Atlantic Council, centro de estudos sediado em Washington, indica que a China pode assumir a posição de maior economia do planeta dentro de dez anos, superando os Estados Unidos. O estudo ouviu centenas de especialistas em geopolítica e traça um cenário de intensificação da rivalidade entre as duas potências.
De acordo com o relatório, publicado na terça-feira (10), 58% dos entrevistados acreditam que Pequim liderará a economia global até 2036. Outros 33% avaliam que Washington conseguirá manter a dianteira econômica no mesmo período.
Tecnologia e diplomacia sob disputa
Quando o tema é inovação tecnológica e influência diplomática, o cenário é mais equilibrado. Os analistas apontam que China e Estados Unidos tendem a se consolidar como competidores de peso semelhante nesses campos.
No setor tecnológico, 47% projetam que os EUA continuarão à frente em 2036, enquanto 44% veem a China ocupando a liderança. Em termos de influência diplomática, 38% apostam na primazia norte-americana e 33% na chinesa.
Durante evento realizado em Washington, Melanie Hart, diretora sênior do Global China Hub do Atlantic Council, alertou que subestimar as ambições chinesas pode custar caro ao Ocidente. Segundo ela, embora os Estados Unidos ainda estejam em vantagem, a margem para erros estratégicos é extremamente reduzida.
Supremacia militar e risco em Taiwan
Apesar das projeções econômicas favoráveis à China, a maioria dos especialistas considera que os EUA continuarão sendo a principal potência militar global. Cerca de 73% apontam Washington como líder nesse campo na próxima década, contra 24% que atribuem essa posição a Pequim.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com Taiwan. Sete em cada dez analistas acreditam que a China poderá tentar retomar a ilha pela força nos próximos dez anos — percentual superior aos 65% registrados no ano anterior e aos 50% observados em 2024.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso de meios militares para promover a reunificação. Embora a maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, não reconheça formalmente Taiwan como Estado independente, Washington se opõe a qualquer mudança do status quo pela força e mantém o compromisso de fornecer armamentos à ilha.
Perfil dos participantes e temor de conflito global
O estudo reuniu 447 especialistas em geoestratégia e previsão internacional, provenientes do setor privado, governos, universidades e organizações sem fins lucrativos. Mais da metade dos participantes reside nos Estados Unidos, e cerca de 75% são homens com mais de 50 anos, segundo o próprio Atlantic Council.
O relatório também revela um cenário preocupante: mais de 40% dos entrevistados acreditam que há risco de uma nova guerra mundial na próxima década. Entre esses, 43% apontam Taiwan ou os Mares do Leste e do Sul da China como possíveis epicentros de um conflito de grandes proporções.




