Kobe – O julgamento do japonês Kanami Takeshita, responsável pela morte de três pessoas e por deixar outras duas gravemente feridas, terminou de forma surpreendente no Tribunal de Kobe (província de Hyogo).
O caso foi amplamente noticiado pela mídia japonesa nesta quinta-feira (4), assim que a sentença foi dada no fim da audiência.
O juiz Kenta Iijima declarou que Takeshita, de 30 anos, é inocente, pois tudo indica que sofreu um surto psicótico no momento do crime e portanto, o caso se trata de um incidente provocado por um episódio de insanidade e sem responsabilidade criminal.
“Ele estava com graves problemas mentais, sintomas de paranóia e alucinação e podemos concluir que isto influenciou o crime. Há a forte suspeita de que aconteceu sob um surto psicótico”, explicou.
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Inocentado após crime brutal
De acordo com os laudos do processo, o caso foi registrado em julho de 2017, no distrito norte da cidade de Kobe. O homem teria sofrido o surto psicótico e matado primeiro os avós, de então 83 anos, a facadas dentro de casa. Depois ele atacou uma vizinha, de 79 anos, também com golpes de faca, provocando a morte dela.
Logo em seguida, Takeshita atacou a própria mãe e outra vizinha, deixando as duas gravemente feridas. Ele reconheceu desde o início que atacou, matou e feriu as vítimas.
A defesa alegou que o réu deveria ser inocentado por se tratar de um incidente provocado por um episódio de insanidade, mas a promotoria pedia prisão por tempo indeterminado. Esta é a condenação mais grave antes da pena de morte.
O Japão não possui um sistema de prisão perpétua definido, mas a prisão por tempo indeterminado é o equivalente. Muitos que recebem essa pena envelhecem na cadeia.
É comum também que a defesa de crimes brutais alegue insanidade e incapacidade do culpado de se responsabilizar pelo crime e usam este recurso para pedir que o cliente seja inocentado.
No entanto, é raro que um crime de assassinato, ainda mais com um grupo de vítimas e ainda da própria família do criminoso, acabe com o autor sendo inocentado. Normalmente, casos de assassinato que envolvem várias vítimas acabam em setença de pena de morte.
Um exemplo de caso famoso é o do peruano Vayron Jonathan Nakada Ludena, de 35 anos, que matou seis pessoas em Tóquio em 2015.

Nakada também sofreu em surto psicótico depois de sair de uma delegacia, onde sofreu uma acusação de invadir casas no bairro. A defesa alegou que ele era esquizofrênico e não podia ser responsabilizado pelo crime.
No entanto, a doença mental não convenceu o juiz, que passou longe de inocentar o réu. O caso acabou com uma condenação de pena de morte pelo Tribunal de Saitama, em 2018.