No Japão, o amor pelos animais de estimação chegou até o pós-vida. Cada vez mais pessoas têm optado por funerais e sepultamentos conjuntos com seus companheiros de quatro patas — ou até de seis patas, no caso dos insetos.
Embora ainda existam restrições religiosas sobre esse tipo de prática, a demanda vem crescendo significativamente. A Memorial Art Ohnoya Inc., pioneira nesse segmento, oferece desde 2003 túmulos que permitem o descanso conjunto entre humanos e pets. A empresa, com atuação em sete cemitérios espalhados pelo país, já realizou cerca de 1.500 contratos desse tipo. E o mais curioso: mesmo que o animal morra antes do dono, ele já pode ser enterrado no espaço reservado à família.
“Atendemos pessoas que desejam descansar ao lado de seus animais insubstituíveis”, explica Yasunari Hakozaki, representante da empresa. Em alguns dos cemitérios, inclusive, há bacias instaladas especialmente para que os pets possam lavar as patas durante as visitas — uma atenção carinhosa à tradição de limpeza e respeito.
Histórias emocionantes reforçam o vínculo afetivo que motiva esses sepultamentos. Um cliente da Ohnoya contou que procurava um túmulo familiar após a morte do pai, mas decidiu contratar o serviço imediatamente ao saber que também poderia incluir seu cachorro. “Não conseguíamos imaginar ficar longe dele, nem depois da morte”, afirmou.
Na província de Hyogo, a empresa Fuga, que comanda a loja de lápides “Ishi no Miyabi”, também oferece túmulos compartilhados em Kobe e Akashi. Os clientes podem personalizar as lápides conforme seus desejos — em um dos exemplos, dois gatos aparecem esculpidos no centro de uma lápide circular, com as imagens impressas em placas de cerâmica resistentes ao tempo.
E o cuidado com os animais vai ainda além. Em Amagasaki, também em Hyogo, o espaço Ai Pet Ceremony recebe até besouros e insetos para enterros simbólicos. Os pequenos animais podem ser levados pessoalmente ou enviados por correio. A instituição realiza cerimônias mensais e acredita que esses rituais ajudam as crianças a entenderem, desde cedo, o ciclo natural da vida.