A China, que vem investindo fortemente no avanço da robótica, realizou uma meia-maratona inusitada com a participação de robôs humanoides, evidenciando o nível atual de desenvolvimento tecnológico ao completarem o percurso em um ritmo superior ao recorde mundial humano.
O evento ocorreu no domingo (19), nos arredores de Pequim, e reuniu mais de 100 equipes — um número cinco vezes maior do que na primeira edição, realizada no ano passado.
Desempenho dos robôs chama atenção
A prova contou tanto com robôs operados remotamente quanto com modelos totalmente autônomos. Alguns conseguiram ultrapassar corredores humanos com facilidade, enquanto outros enfrentaram falhas durante o trajeto e precisaram ser retirados.
O grande destaque foi um robô humanoide desenvolvido pela empresa Nanbu, fabricante de smartphones com sede em Shenzhen. Ele concluiu a corrida em 50 minutos e 26 segundos — uma marca muito superior à do vencedor da edição anterior, que levou cerca de 2 horas e 40 minutos, e aproximadamente 7 minutos mais rápida que o atual recorde mundial masculino da meia-maratona.
Parceria entre setor público e privado
O governo chinês tem tratado os robôs humanoides como um setor estratégico para o crescimento econômico, incentivando a cooperação com empresas privadas para acelerar o desenvolvimento. A corrida serviu como vitrine para demonstrar esses avanços.
Um engenheiro da equipe campeã afirmou que o projeto foi inspirado em atletas de elite e sugeriu possíveis aplicações futuras: “Quem sabe esses robôs possam até atuar em vendas no varejo, como em lojas de smartphones”.
O público também se impressionou com o desempenho. “Eles estão muito mais rápidos este ano, com movimentos cada vez mais próximos dos humanos”, comentou um espectador. Um maratonista presente reforçou: “É um nível completamente diferente”.
Humanos x máquinas: coexistência, não competição
O vencedor da prova masculina entre humanos, de 29 anos, reconheceu o avanço tecnológico, mas não demonstrou preocupação. “Os robôs são extremamente rápidos, mas cada tipo de corrida tem seu próprio valor”, afirmou.
Especialistas e empresários do setor destacaram que a competição vai além da velocidade. Segundo um fundador de uma empresa de robótica de Pequim, o evento testa fatores como confiabilidade, resistência e maturidade tecnológica. Ele ressaltou ainda os desafios de levar essas máquinas do laboratório para a produção em larga escala, com aplicações que podem incluir indústria, resgates e segurança.
Um pesquisador da Universidade Tsinghua destacou a evolução em relação ao ano passado, especialmente em estabilidade e desempenho. Para ele, a China está na vanguarda global da robótica, e o interesse crescente de diferentes setores deve impulsionar ainda mais o desenvolvimento da área.





